A medicina brasileira perdeu uma de suas maiores referências neste sábado (30), com o falecimento da professora e médica Angelita Habr Gama, aos 93 anos, no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Reconhecida mundialmente por suas contribuições à coloproctologia e ao tratamento do câncer de reto, Angelita estava internada desde o dia 6 de maio e deixa um legado inestimável que influenciou gerações de médicos e pacientes.
Trajetória e contribuições na medicina
Nascida na Ilha do Marajó, no Pará, Angelita se mudou para São Paulo na infância. Formou-se em Medicina na Universidade de São Paulo (USP) em 1952, onde se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de professora titular em uma especialidade cirúrgica. Sua carreira é marcada pelo pioneirismo, tendo criado a disciplina de Coloproctologia no Hospital das Clínicas da USP e fundado a Associação de Prevenção do Câncer de Intestino.
Inovações no tratamento do câncer de reto
Angelita Habr Gama é amplamente reconhecida por desenvolver o protocolo “Watch and Wait”, que revolucionou a abordagem do câncer de reto, permitindo a preservação do órgão em pacientes com resposta completa ao tratamento. Essa estratégia não apenas melhorou a qualidade de vida de muitos pacientes, mas também reduziu a necessidade de cirurgias radicais.
Reconhecimento nacional e internacional
Ao longo de sua carreira, Angelita recebeu mais de 50 prêmios, incluindo a Medalha Bigelow da Boston Surgical Society e o título de uma das mulheres mais influentes do Brasil pela Forbes. Sua inclusão na lista dos 2% de cientistas mais influentes do mundo, elaborada pela Universidade de Stanford, é um reflexo de sua significativa contribuição à ciência.
Legado e impacto na medicina
Angelita Gama não foi apenas uma médica de renome, mas também uma mentora para várias gerações de cirurgiões. Sua filosofia de trabalho, baseada na dedicação e no amor pela profissão, destacou-se ao longo de sua vida. O Hospital Alemão Oswaldo Cruz lamentou sua morte, considerando-a uma perda irreparável para a medicina brasileira.
Impacto social e acadêmico
Além de suas realizações clínicas e acadêmicas, Angelita também se destacou por sua visão humanizada da medicina, sempre preocupada com o bem-estar dos pacientes. Sua trajetória inspirou muitas mulheres a seguirem carreira na medicina, quebrando barreiras em um campo historicamente dominado por homens.
Considerações finais
O falecimento de Angelita Habr Gama representa uma grande perda para a medicina, mas seu legado continuará a impactar a prática médica e a formação de novos especialistas no Brasil e no mundo. A trajetória de Angelita é um exemplo de perseverança, inovação e compaixão na medicina.
