Copom mantém Selic em 14% ao ano em agosto de 2026: o que muda para quem tem dívidas e financiamentos

O Copom cortou a Selic para 14% ao ano em agosto de 2026 — a quarta redução consecutiva no ano. Entenda o que muda nos juros do cartão de crédito, financiamentos e investimentos.

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu, na 280ª reunião realizada nos dias 4 e 5 de agosto de 2026, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,00% ao ano. A decisão foi unânime e representa o quarto corte consecutivo da taxa básica de juros em 2026.

A Selic saiu de 14,25% para 14,00% — o menor patamar desde o início do atual ciclo de aperto monetário. Ainda assim, a taxa segue em nível restritivo, acima do que o Banco Central considera neutro para a economia brasileira.

Por que o Copom reduziu a Selic?

O Copom avaliou que as condições macroeconômicas permitem a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, ainda que de forma cautelosa. O IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,44% em julho de 2026, segundo o IBGE — acima do centro da meta de 3%, mas dentro da banda de tolerância de 1,5 ponto percentual.

O comunicado oficial destacou que o ambiente externo permanece incerto. O Comitê citou conflitos armados no Oriente Médio, volatilidade de commodities e dúvidas sobre a política monetária em economias avançadas como fatores de risco para países emergentes.

Internamente, o Copom reforçou que os riscos para a inflação continuam com “assimetria altista” — ou seja, há mais chances de a inflação surpreender para cima do que para baixo. Entre as preocupações: expectativas de inflação ainda desancoradas, possíveis choques climáticos e incerteza fiscal.

Reunião do CopomTaxa Selic decididaVariação
Janeiro 202615,25% a.a.
Abril 202614,75% a.a.-0,50 p.p.
Junho 202614,25% a.a.-0,50 p.p.
Agosto 202614,00% a.a.-0,25 p.p.

Fontes: Banco Central do Brasil — Notas do Copom.

O que muda para quem tem dívidas

A taxa Selic influencia diretamente o custo do crédito no Brasil. Com a redução para 14%, espera-se uma pressão gradual de queda nas taxas praticadas pelos bancos — mas o impacto não é imediato nem uniforme.

Cartão de crédito e rotativo

O rotativo do cartão de crédito permanece o crédito mais caro do mercado, com taxas médias que historicamente superam 400% ao ano. A queda da Selic tende a reduzir marginalmente esse custo, mas o impacto é limitado pela estrutura de risco desse produto.

Para quem já está endividado no rotativo, a trajetória de cortes da Selic representa um alívio indireto — especialistas costumam recomendar a renegociação ou portabilidade da dívida para linhas mais baratas, como o crédito pessoal ou o consignado. Saiba mais em nosso guia: como escapar dos juros rotativos do cartão de crédito.

Empréstimo pessoal

As taxas de empréstimo pessoal acompanham o CDI, que por sua vez segue a Selic de perto. Com a Selic em 14%, o CDI fica em torno de 13,90% ao ano. Novos contratos de crédito pessoal tendem a refletir essa queda ao longo das próximas semanas.

Consignado INSS

O consignado para aposentados e pensionistas do INSS tem taxa máxima regulada pelo Conselho Nacional de Previdência. A redução da Selic cria pressão para que o teto também seja revisto para baixo — o que pode beneficiar quem contratar ou refinanciar empréstimos nos próximos meses.

Financiamento imobiliário

Para financiamentos indexados à TR (como os da Caixa no modelo SFH), a queda da Selic tem efeito limitado no curto prazo, pois a Taxa Referencial é calculada de forma diferente. Já os contratos IPCA+ e Selic+ tendem a ficar mais baratos à medida que o ciclo de cortes avança.

Atenção

A Selic não afeta diretamente as parcelas já contratadas a taxas fixas — apenas novos contratos e linhas de crédito pós-fixadas. Antes de tomar qualquer decisão de crédito, consulte as condições específicas da sua instituição financeira.

O que muda para quem investe

Para investidores conservadores, a Selic em 14% ao ano ainda representa um ambiente favorável à renda fixa. Historicamente, períodos de juros elevados costumam beneficiar aplicações atreladas ao CDI e à própria Selic.

Tesouro Selic

O Tesouro Selic continua sendo uma das aplicações mais líquidas e seguras do mercado. Com a taxa em 14% ao ano, o retorno bruto diário é de aproximadamente 0,054% — o que equivale a cerca de 1,1% ao mês antes do imposto de renda. Veja o guia completo sobre como investir no Tesouro Direto.

CDBs acima de 100% do CDI

Com o CDI em torno de 13,90% ao ano, CDBs que pagam 110% ou 115% do CDI seguem sendo alternativas populares entre investidores de perfil conservador a moderado. Especialistas costumam sugerir atenção ao prazo de vencimento e ao limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), de R$ 250 mil por CPF por instituição. Confira mais em: o que é CDI e como ele impacta os seus investimentos.

Poupança

A poupança rende 70% da Selic + TR quando a Selic está acima de 8,5% ao ano. Com a taxa em 14%, o rendimento bruto da poupança fica em torno de 9,8% ao ano — bem abaixo do Tesouro Selic ou de CDBs equivalentes, que entregam cerca de 14% antes do IR.

InvestimentoRentabilidade bruta estimada (a.a.)LiquidezGarantia FGC
Tesouro Selic~14,00%Diária (D+1)Não (garantia federal)
CDB 100% CDI~13,90%Varia por contratoSim (até R$ 250 mil)
Poupança~9,80%DiáriaSim (até R$ 250 mil)
LCI/LCA 90% CDI~12,51% (isento IR)Prazo mínimo 90 diasSim (até R$ 250 mil)

Rentabilidades estimadas com base na Selic de 14,00% a.a. e CDI de ~13,90% a.a., vigentes em agosto de 2026. Rentabilidade passada não garante retorno futuro.

Qual é a perspectiva para os próximos meses?

A próxima reunião do Copom está agendada para os dias 15 e 16 de setembro de 2026. O mercado financeiro aguarda novos dados de inflação e atividade econômica para calibrar as apostas sobre o ritmo dos próximos cortes.

Segundo o Boletim Focus divulgado em 10 de agosto de 2026, a projeção mediana do mercado aponta para a Selic encerrando 2026 em 13,75% ao ano. Isso indica que os analistas esperam novos cortes de 0,25 p.p. nas próximas reuniões — mas o ritmo depende da evolução da inflação de serviços e da atividade econômica.

A ata da 280ª reunião, divulgada em 11 de agosto, reforçou a postura de cautela do Banco Central. O documento indicou que a autoridade monetária não tem pressa para acelerar os cortes, priorizando a convergência da inflação à meta de 3%.

Cenário base do mercado

O Focus de 10/ago/2026 projeta a Selic em 13,75% ao fim de 2026. Historicamente, o mercado tende a revisar essas projeções conforme novos dados de IPCA e atividade econômica são divulgados. Acompanhe o Boletim Focus semanalmente no site do Banco Central.

O que o leitor deve acompanhar

A decisão do Copom de agosto sinaliza que o ciclo de queda dos juros continua, mas em ritmo cauteloso. Para quem tem dívidas pós-fixadas, o cenário aponta para uma redução gradual no custo do crédito nos próximos meses.

Para quem investe em renda fixa, a Selic em 14% ainda oferece retornos historicamente elevados. Especialistas costumam sugerir aproveitar os títulos prefixados e IPCA+ enquanto os juros permanecem altos — mas cada perfil de risco é diferente.

  • Próximo dado importante: IPCA de agosto (divulgação prevista para ~10/set/2026)
  • Próxima reunião do Copom: 15 e 16 de setembro de 2026
  • Projeção Focus para Selic em dez/2026: 13,75% a.a.

Para entender melhor como a Selic afeta o seu bolso no dia a dia, confira nosso guia definitivo da taxa Selic.

Perguntas frequentes sobre a Selic e o Copom

O que é o Copom e quando ele se reúne?

O Copom é o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, responsável por definir a taxa Selic a cada 45 dias, aproximadamente. Em 2026, as reuniões acontecem a cada dois meses. A próxima está prevista para 15 e 16 de setembro de 2026.

A queda da Selic reduz as parcelas do meu financiamento imobiliário?

Depende do índice do contrato. Financiamentos atrelados à Selic ou ao CDI sentirão o impacto diretamente. Contratos com taxa fixa ou indexados à TR têm menor sensibilidade à decisão do Copom. Consulte o contrato com sua instituição financeira para entender as condições específicas.

O Tesouro Selic ainda vale a pena com a taxa em queda?

Historicamente, o Tesouro Selic segue sendo uma das opções com melhor relação risco-retorno na renda fixa brasileira, mesmo em ciclos de queda de juros. Com a Selic em 14% ao ano, o retorno bruto ainda supera com folga a poupança e outras aplicações de baixo risco. Especialistas costumam sugerir manter uma parcela da reserva de emergência no Tesouro Selic pela liquidez diária.

Quando a Selic deve cair abaixo de 13%?

O mercado, segundo o Boletim Focus de 10 de agosto de 2026, projeta a Selic em 13,75% ao fim de 2026. Isso indica que novos cortes estão previstos, mas o ritmo depende da evolução da inflação e dos dados econômicos. O Banco Central não sinalizou aceleração do ciclo de cortes.

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