Mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil destacam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, deu prioridade ao financiamento do filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa decisão ocorreu em um período crítico, quando o banco enfrentava sérias dificuldades financeiras e acumulava R$ 55,5 milhões em pagamentos pendentes.
Cobranças de Flávio Bolsonaro
A priorização dos pagamentos ao filme foi impulsionada por cobranças do senador Flávio Bolsonaro, que atualmente se apresenta como pré-candidato à presidência. Em mensagens trocadas em janeiro de 2025, o empresário Thiago Miranda, identificado como intermediário entre Flávio e Vorcaro, alertou sobre a urgência na liberação dos recursos devido ao cronograma do projeto.
Detalhes das mensagens trocadas
Em uma das mensagens, Flávio pediu a Miranda para pressionar o departamento jurídico do investidor para agilizar a resposta necessária, uma vez que o roteirista estava disponível apenas até o final de janeiro. Essa troca de mensagens culminou em uma série de orientações de Vorcaro ao seu cunhado, Fabiano Zettel, que era responsável por operacionalizar os pagamentos.
Prioridade ao projeto cinematográfico
As comunicações entre Vorcaro e Zettel mostram um claro interesse do banqueiro em garantir que os pagamentos ao filme fossem feitos, mesmo em meio a um fluxo financeiro complicado. Vorcaro enfatizou que o filme era a prioridade máxima, afirmando que “não poderia falhar mais” na liberação dos recursos.
Valores envolvidos no financiamento
Documentos anteriores revelaram que o financiamento previsto para a produção do filme girava em torno de US$ 24 milhões, o que na cotação da época equivalia a aproximadamente R$ 134 milhões. Até o mês de maio de 2025, cerca de US$ 10,6 milhões já haviam sido transferidos ao fundo responsável pela produção, que é ligado a Paulo Calixto, advogado próximo ao deputado Eduardo Bolsonaro.
Situação financeira do Banco Master
Essas revelações são ainda mais significativas diante do contexto de crise enfrentada pelo Banco Master, que estava sob vigilância do Banco Central devido à sua situação financeira. A escolha de priorizar um projeto cinematográfico em meio a essa crise levanta questionamentos sobre a gestão financeira da instituição e suas relações com a família Bolsonaro.
