A Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou recentemente um novo pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli na Corte Suprema de Cassação da Itália. A iniciativa ocorre no contexto de uma condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, que resultou em uma pena de cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso remonta a um incidente que aconteceu na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli perseguiu e ameaçou um jornalista em São Paulo.
Detalhes do pedido de extradição
No documento enviado à Corte italiana, a AGU apresentou informações que foram coletadas junto ao STF, referentes às garantias exigidas pela Justiça italiana para a extradição de Zambelli, além de dados sobre a validade da condenação. O procedimento é considerado de natureza jurisdicional e tramita sob sigilo, o que impede a divulgação de detalhes específicos sobre o conteúdo da manifestação ou as estratégias processuais adotadas.
Contexto jurídico e histórico
A ex-deputada, que possui cidadania italiana, deixou o Brasil antes da execução da pena. Em julho de 2025, Zambelli foi presa na Itália, mas foi libertada após a Corte de Cassação do país ter negado um primeiro pedido de extradição. Essa decisão se baseou em preocupações sobre a imparcialidade do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que atuou simultaneamente como juiz e suposta vítima em um caso anterior relacionado à invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pelo qual Zambelli também foi condenada a 10 anos de prisão.
Próximos passos
O tribunal italiano deve analisar o novo pedido de extradição nas próximas semanas. A AGU reafirmou o compromisso do Brasil com a cooperação jurídica internacional, ressaltando que esta é fundamental para garantir a efetividade da jurisdição penal e o cumprimento das decisões judiciais.
Implicações políticas e sociais
A situação de Carla Zambelli tem gerado debates acalorados no Brasil, especialmente em relação à sua atuação política e à percepção de que ela seria uma vítima de perseguição política. A expectativa é que o desenrolar desse caso possa influenciar o ambiente político no Brasil, além de impactar as relações diplomáticas entre Brasil e Itália, à medida que o processo avança.
