O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, anunciou a redistribuição do caso relacionado ao financiamento do filme “Dark Horse” para o ministro André Mendonça. A decisão, tomada em 25 de junho de 2026, retira a relatoria do caso do ministro Alexandre de Moraes e atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que argumentou a conexão entre esta nova investigação e processos já em andamento sob a relatoria de Mendonça.
Contexto da investigação
A investigação teve início com uma notícia-crime protocolada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que solicitou a apuração de irregularidades envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A ação busca esclarecer a origem de recursos que teriam sido utilizados para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, no valor de R$ 134 milhões, sendo R$ 61 milhões já movimentados de acordo com documentos revelados pelo site Intercept Brasil. Farias alega que esses recursos foram utilizados não apenas para o filme, mas também para financiar a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos em campanhas contra autoridades brasileiras.
Decisão de Fachin e argumentos da PGR
A decisão de Fachin para manter o caso sob a relatoria de Mendonça foi embasada em uma análise prévia da área técnica do STF, que identificou a presença de outros dois processos relacionados ao filme já atribuídos a Mendonça. O presidente do STF enfatizou que existe uma coincidência entre os fatos narrados na nova comunicação de crime e as investigações anteriores que o ministro já conduz. O parecer da PGR, que recomendou a redistribuição, reforçou a ideia de que as apurações estão interligadas, justificando assim a concentração dos processos sob o mesmo relator.
Histórico do caso Dark Horse
O caso começou a ganhar notoriedade após a revelação de que Flávio Bolsonaro teria negociado valores substanciais com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar o financiamento do filme. A conexão do financiamento com a suposta articulação internacional de Eduardo Bolsonaro em favor de seu pai, Jair, também foi citada por Lindbergh Farias, levantando suspeitas sobre a utilização dos recursos para influenciar decisões no Brasil. Essa narrativa foi fortalecida pela condenação de Eduardo por coação no processo investigativo ligado a essas questões.
Próximos passos no STF
Com a redistribuição, André Mendonça será responsável por analisar as novas solicitações de investigação e determinar as medidas a serem tomadas. A expectativa é que o caso avance rapidamente, dada a relevância política e social envolvida, especialmente considerando o contexto eleitoral e as implicações sobre a família Bolsonaro. A decisão de Fachin e a postura da PGR indicam uma tentativa de consolidar as investigações sob a supervisão de um único relator, o que poderá facilitar a apuração dos fatos.
Assim, o que se espera agora é que a condução do processo por Mendonça traga maior clareza sobre as alegações e possibilite um desfecho adequado para as questões levantadas, que envolvem figuras centrais da política brasileira e suas relações com o financiamento de projetos culturais.
