Nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos não-autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A operação ocorre em quatro estados: Pernambuco, São Paulo, Paraíba e no Distrito Federal, com um total de 31 mandados de busca e apreensão e oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico.
Objetivo da operação
A Operação Sem Desconto visa aprofundar as investigações sobre práticas que configuram crimes contra a administração pública, como organização criminosa e estelionato previdenciário. As investigações já identificaram um rombo bilionário, estimado em R$ 6,3 bilhões, que afetou aproximadamente 4,1 milhões de beneficiários entre os anos de 2019 e 2024. Este esquema permitiu que associações e sindicatos realizassem descontos em aposentadorias sem o consentimento dos segurados, muitas vezes utilizando fraudes para simular a adesão a essas entidades.
Como funcionava o esquema
Os aposentados e pensionistas eram inscritos em associações sem seu conhecimento, e os valores eram descontados automaticamente de seus benefícios. As investigações apontam que as entidades utilizavam métodos fraudulentos, como falsificação de assinaturas e criação de tokens falsos, para validar esses descontos. A estrutura do esquema envolvia operadores financeiros e ex-servidores do INSS que facilitavam as operações, dificultando a identificação dos responsáveis.
Entidades investigadas
Diversas associações estão sendo investigadas, incluindo o Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev e a Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas. Em Brasília, as associações UNIBAP e ABENPREV também estão sob a mira das investigações.
Desdobramentos e medidas cautelares
As ordens de busca e apreensão foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal, e incluem medidas adicionais como o bloqueio de bens dos investigados. Apesar da gravidade das acusações, até o momento não foram registradas prisões.
Impacto e fiscalização
A Operação Sem Desconto já havia revelado irregularidades em uma fase anterior, que identificou que muitos beneficiários não tinham ciência dos descontos. Além disso, as investigações revelaram falhas significativas na fiscalização do governo, permitindo que o esquema operasse por anos sem ser detectado.
Ressarcimento e futuro das investigações
Com a continuidade das apurações, as autoridades buscam não apenas responsabilizar os envolvidos, mas também garantir o ressarcimento dos valores indevidamente descontados dos segurados. A operação destaca a necessidade de maior controle e transparência nas transações envolvendo o INSS, visando proteger os direitos dos beneficiários.
