O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, fez sérias acusações contra a administração do governador Tarcísio de Freitas, envolvendo um contrato de R$ 475,8 milhões com uma empresa recém-criada. Durante uma entrevista ao podcast “Três Irmãos”, Haddad questionou a legitimidade desse acordo, que faz parte do programa Muralha Paulista, e destacou a necessidade de uma investigação sobre a origem e a validade do contrato.
Contrato suspeito com empresa de paraíso fiscal
Haddad apontou que a empresa em questão, Paladium Corp Desenvolvimento de Tecnologia Ltda, foi constituída há menos de um ano e possui sede em Delaware, um conhecido paraíso fiscal nos Estados Unidos. Essa situação levanta sérias dúvidas sobre a transparência e a legalidade do contrato, que foi firmado sem licitação. O ex-ministro se questionou como uma empresa tão nova poderia garantir um contrato de tal magnitude com o governo estadual.
Denúncias e investigações
A denúncia sobre o contrato foi apresentada pelo deputado estadual Antonio Donato ao Ministério Público de São Paulo. Donato acusou o governo de usar a Prodesp como intermediária para repassar recursos à Paladium, o que caracterizaria uma triangulação contratual. A representação pede a suspensão imediata do contrato e a abertura de um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades.
Cooperação com os EUA no combate ao crime
Na mesma entrevista, Haddad defendeu a necessidade de uma cooperação com os Estados Unidos para combater o crime organizado, ressaltando que o problema do Brasil é também uma questão que envolve os EUA. Ele afirmou que o dinheiro do crime organizado está sendo lavado em território americano e que as armas que alimentam o crime no Brasil vêm dos EUA.
Propostas para a segurança pública
Haddad criticou a postura do governador Tarcísio em não liderar uma colaboração efetiva com a União no combate ao crime. Ele propôs que, caso seja eleito, sua primeira ação será sentar-se com o presidente para discutir a inclusão de um capítulo sobre segurança pública na Constituição, algo que ele considera essencial, assim como outras áreas já contempladas.
A situação atual do combate ao crime em São Paulo, segundo Haddad, é um reflexo de uma falta de liderança e de iniciativa para trabalhar em conjunto com o governo federal. Ele reiterou que a segurança pública deve ter o mesmo reconhecimento constitucional que outras áreas importantes, como educação e saúde.
