Em um marco histórico, o Brasil alcançou em 2024 o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805, o que o colocou pela primeira vez na categoria de países com desenvolvimento humano “muito alto”. Essa informação foi divulgada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por meio do estudo Radar IDHM, que analisa indicadores de saúde, educação e renda ao longo dos últimos 13 anos, de 2012 a 2024.
Avanços no IDHM e fatores impulsionadores
O IDHM cresceu de 0,744 em 2012 para 0,805 em 2024, refletindo as melhorias significativas nos indicadores sociais do país. A educação se destacou como o principal motor desse avanço, passando de 0,679 para 0,798 no mesmo período. A implementação de políticas públicas, como o Bolsa Família, foi crucial para reduzir o trabalho infantil e aumentar a taxa de permanência das crianças na escola, contribuindo para a inclusão de grupos antes marginalizados.
Desigualdades raciais e de gênero
A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD Brasil, Betina Barbosa, destacou que as melhorias são mais acentuadas entre famílias de baixa renda, especialmente na população negra. Essa inclusão é fundamental para o desenvolvimento contínuo do país, pois as desigualdades de raça e gênero ainda representam grandes obstáculos. Barbosa enfatizou que não há progresso sustentável sem a participação efetiva desses grupos nas políticas públicas.
Composição dos indicadores de saúde e renda
A saúde também apresentou um desempenho significativo, alcançando 0,860 em 2024, embora tenha crescido mais lentamente em comparação com a educação. O Sistema Único de Saúde (SUS), consolidado na Constituição de 1988, foi um fator determinante para esse resultado. Por outro lado, o parâmetro relacionado à renda subiu de 0,732 para 0,760, evidenciando um progresso, mas ainda apontando para a necessidade de melhorias.
Impacto das regiões metropolitanas
As regiões metropolitanas foram identificadas como os locais com os melhores indicadores, contribuindo para elevar a média nacional. Estados do Sul e Sudeste se destacam por apresentarem níveis muito altos de desenvolvimento, enquanto outras áreas ainda enfrentam desafios significativos.
Conclusão
O aumento do IDHM é um sinal positivo das políticas sociais implementadas no Brasil, mas ainda há um longo caminho a percorrer para superar as desigualdades persistentes. O fortalecimento da inclusão social e a continuidade de esforços em educação e saúde serão essenciais para garantir um desenvolvimento humano equitativo e sustentável.
