O ministro da Defesa brasileiro, José Múcio Monteiro, participou de uma reunião com o subsecretário de Defesa para Assuntos de Política dos Estados Unidos, Elbridge Colby, no dia 8 de julho. O encontro ocorreu em Cusco, no Peru, durante a 17ª Conferência de Ministros de Defesa das Américas (CMDA), e teve como principal foco a cooperação entre os dois países no combate ao narcotráfico.
Classificação de facções como terroristas
A reunião acontece em um contexto sensível, após a decisão do governo dos EUA, sob a administração de Donald Trump, de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Essa decisão, que entrou em vigor em junho, gerou preocupações no governo brasileiro sobre possíveis repercussões, incluindo ações militares norte-americanas em território brasileiro. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil expressou temores de que essa classificação possa ser usada como justificativa para intervenções.
Diálogo sobre combate ao narcotráfico
Durante a reunião, Colby destacou o interesse dos Estados Unidos em formar parcerias na América Latina para enfrentar o narcotráfico, identificando o Brasil como um potencial aliado. Múcio, por sua vez, demonstrou interesse na colaboração, mas enfatizou que o combate ao narcotráfico é uma responsabilidade do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil. Ele também mencionou as iniciativas das Forças Armadas nas áreas de fronteira, que incluem operações de vigilância e apoio.
Cordialidade nas relações
O clima da reunião foi descrito como cordial e favorável à convergência de opiniões entre as delegações. O evento, que ocorre a cada dois anos, reúne ministros da defesa de toda a América, com foco na segurança regional e no combate ao crime organizado. Antes da reunião, Múcio encontrou-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para alinhar os assuntos a serem abordados com o representante norte-americano.
Implicações da classificação do PCC e CV
A classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelos EUA não é vista com bons olhos pelo governo brasileiro. O chanceler Mauro Vieira expressou preocupações de que essa decisão possa levar a ações extraterritoriais que afetem instituições brasileiras, especialmente nas áreas financeira, migratória e penal. Enquanto isso, o Ministério da Defesa procurou mitigar tensões ao buscar um diálogo contínuo com os EUA sobre segurança e defesa.
Próximos passos na cooperação
O governo brasileiro, ao mesmo tempo que demonstra interesse em colaborar com os EUA no combate ao narcotráfico, reafirma que a condução dessa política será mantida sob a responsabilidade do Ministério da Justiça. Essa distinção de papéis é fundamental para manter a soberania do Brasil em questões de segurança pública.
