O chefe de gabinete do presidente argentino Javier Milei, Manuel Adorni, anunciou sua renúncia neste sábado (27), em meio a um escândalo de acusações de enriquecimento ilícito que abalaram a administração. Adorni, um dos principais aliados de Milei, ocupava uma posição central no governo, tendo sido nomeado porta-voz presidencial logo após a posse do presidente em dezembro de 2023 e, posteriormente, chefe de gabinete em novembro do ano passado.
Motivos da renúncia
A saída de Adorni ocorre em meio a investigações sobre a evolução de seu patrimônio e seus gastos pessoais, considerados incompatíveis com a renda que ele declarou. Ele admitiu ter mantido cerca de US$ 500 mil não declarados, afirmando que esses valores eram economias acumuladas antes de sua gestão pública, oriundas de investimentos em criptomoedas. A justificativa, no entanto, não conseguiu dissipar as dúvidas sobre sua conduta.
Investigações em andamento
As investigações se concentram também em suas despesas pessoais, incluindo viagens luxuosas com a família, como férias em Aruba durante o Natal, e deslocamentos em jato particular para o Uruguai durante o Carnaval. Adorni negou qualquer irregularidade, reiterando que suas despesas foram pagas com recursos próprios e que o patrimônio foi acumulado antes de sua entrada no governo.
Defesa de Milei
Antes da renúncia, o presidente Milei havia defendido publicamente seu chefe de gabinete, afirmando que só o afastaria se a Justiça o considerasse culpado. No entanto, com a pressão crescente da oposição e o desgaste político se intensificando, a permanência de Adorni tornou-se insustentável.
Consequências para o governo de Milei
A saída de Adorni representa um revés significativo para a administração de Milei, que já enfrenta desafios relacionados a denúncias de corrupção e à crescente insatisfação popular. Pesquisas indicam que a taxa de aprovação do presidente caiu de 53% para 39% em um ano, refletindo o descontentamento em meio a dificuldades econômicas, como a inflação.
A carta de renúncia
Na carta divulgada nas redes sociais, Adorni expressou gratidão a Milei e afirmou que sua decisão foi tomada contra a vontade do presidente, destacando que encerrava seu ciclo com “consciência tranquila”. Essa renúncia marca um capítulo conturbado na política argentina, levando a um aumento das interrogações sobre a integridade da administração atual.
