O Ministério das Relações Exteriores do Brasil se manifestou de forma contundente contra a participação do senador Flávio Bolsonaro em uma audiência pública nos Estados Unidos, onde o parlamentar visa discutir a proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A nota do Itamaraty, divulgada nesta quarta-feira, menciona “traidores da pátria” e destaca que a medida é resultado de uma tentativa de interferência externa nos assuntos brasileiros.
Contexto da audiência nos EUA
A audiência pública está agendada para o dia 6 de julho e será conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência da República, pretende argumentar a favor da suspensão das tarifas e pela abertura de negociações entre os dois países. De acordo com aliados, ele também defenderá a manutenção do sistema de pagamentos Pix, que beneficia empresas americanas operando no Brasil.
Reação do Itamaraty
O Itamaraty declarou que a presença de Flávio Bolsonaro na audiência é um indicativo de um esforço por parte da oposição para reescrever a história sobre as tarifas impostas pelos EUA. O ministério enfatizou que, embora o Brasil não tenha enviado representantes para essa audiência, o governo tem estado ativo na investigação desde sua abertura em julho de 2025, utilizando canais diretos de comunicação com os EUA.
Contribuições do governo brasileiro
Durante a investigação, o Brasil apresentou duas defesas escritas e participou de reuniões em Washington, reafirmando que suas políticas comerciais não prejudicam o comércio com os Estados Unidos. O Itamaraty ainda lembrou que outros parceiros comerciais, como a China e a União Europeia, também não costumam enviar representantes a esse tipo de audiência.
Implicações políticas e econômicas
A proposta de tarifas americanas gerou um intenso debate político no Brasil, com o governo atual atribuindo a responsabilidade pelo avanço desta investigação à família Bolsonaro, enquanto aliados do senador Flávio tentam apresentar sua atuação como uma tentativa de proteger os interesses econômicos brasileiros. O resultado da audiência e as discussões subsequentes podem ter um impacto significativo nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
O desenrolar desta situação não só afeta a economia brasileira, mas também se tornou um ponto central nas estratégias eleitorais de Flávio Bolsonaro e seus aliados, que buscam usar a questão para fortalecer suas posições políticas diante do eleitorado.
