O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo determinou, em 1º de junho de 2026, a prisão em regime aberto do jornalista Luan Araújo após o não pagamento de uma multa de aproximadamente R$ 2.200,00. A multa foi imposta em um processo judicial movido pela ex-deputada federal Carla Zambelli, que condenou Araújo por difamação em razão de um texto publicado na internet com críticas à parlamentar.
Contexto da condenação e perseguição armada em 2022
O episódio que marcou a trajetória do jornalista ocorreu em outubro de 2022, quando Carla Zambelli perseguiu Araújo armado nas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais. Após uma discussão política, Zambelli sacou uma arma e perseguiu o jornalista, que usava um boné do MST. O caso ganhou ampla repercussão após a divulgação de vídeos registrados por testemunhas no local.
Em decorrência desse episódio, em agosto de 2025, o Supremo Tribunal Federal condenou Carla Zambelli a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com o uso de arma. Contudo, Zambelli fugiu para a Itália para evitar cumprimento de outra sentença de dez anos relacionada a invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A Corte de Apelação de Roma anulou o pedido de extradição e a libertou.
Processo por difamação e decisão judicial recente
Além da perseguição armada, Luan Araújo foi processado por Carla Zambelli por difamação em razão de um artigo de opinião publicado no portal Diário do Centro do Mundo após o episódio. No texto, o jornalista afirmou que Zambelli fazia parte de uma “extrema direita mesquinha, maldosa e mercadora da morte”, além de alegar que ela era seguida por uma “seita de doentes de extrema direita” que cometia atrocidades.
Araújo foi absolvido do crime de injúria, mas condenado ao pagamento de uma multa no valor de cerca de R$ 2.200,00 por difamação. Como não efetuou o pagamento da multa mesmo após ser devidamente notificado, o juiz José Fernando Steinberg, do TJ-SP, decidiu converter a pena restritiva de direitos em prisão em regime aberto, conforme previsto no artigo 44, § 4º, do Código Penal.
Reação da defesa e situação atual
A defesa do jornalista, comandada pelos advogados Renan Bohus e José Luiz de Oliveira Junior, argumenta que Luan Araújo se encontra em situação de hipossuficiência econômica comprovada, estando desempregado e sem condições financeiras para arcar com a multa. Por isso, classificam a medida como uma prisão civil por dívida, prática vedada pela legislação brasileira, e já ingressaram com pedido de habeas corpus para reverter a decisão.
Luan Araújo declarou publicamente que considera a condenação injusta e afirmou que está organizando uma campanha de arrecadação para pagar os custos processuais e também para entrar com um processo por danos morais contra Zambelli. Ele ressaltou as dificuldades que enfrenta desde o episódio, incluindo perdas profissionais, problemas psicológicos e a sensação de injustiça diante da disparidade entre sua situação e a da ex-deputada, que permanece solta na Europa.
Detalhes do episódio de 2022
No dia 29 de outubro de 2022, durante uma manifestação política em São Paulo, Carla Zambelli e Luan Araújo se envolveram em uma discussão que culminou com a ex-parlamentar sacando uma arma e perseguindo o jornalista pelas ruas dos Jardins até um bar na Alameda Lorena. O segurança de Zambelli chegou a disparar tiros durante a confusão, e Araújo foi agredido fisicamente. O caso foi amplamente documentado por testemunhas e câmeras, dando origem a processos judiciais tanto para Zambelli quanto para Araújo.
| Evento | Data | Desfecho judicial |
|---|---|---|
| Perseguição armada de Zambelli a Araújo | 29 de outubro de 2022 | Condenação de Zambelli a 5 anos e 3 meses pelo STF em agosto de 2025 |
| Publicação do texto difamatório por Araújo | Após o episódio de 2022 | Condenação por difamação com multa de R$ 2.200,00 |
| Não pagamento da multa | Até junho de 2026 | Conversão da multa em prisão em regime aberto para Araújo |
