A escritora, ilustradora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi, famosa por sua obra “Persépolis”, faleceu nesta quinta-feira (4), em Paris, aos 56 anos. A causa da morte foi relatada como “tristeza” pela família, que destacou que a autora não se recuperou da perda de seu marido, o produtor e ator sueco Mattias Ripa, que faleceu em abril de 2025.
Trajetória de Marjane Satrapi
Nascida em 22 de novembro de 1969, na cidade de Rasht, Irã, Satrapi teve sua infância marcada pela Revolução Islâmica de 1979, que a levou a se exilar na França em 1994. Naturalizada francesa em 2006, tornou-se uma das vozes mais influentes na defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão, utilizando sua arte como uma ferramenta de crítica ao regime iraniano.
Persépolis: uma obra marcante
“Persépolis”, publicada em 2000, é uma autobiografia gráfica que narra a juventude de Satrapi no Irã sob o regime dos aiatolás. Com traços simples em preto e branco, a obra retrata a repressão política e a complexidade da identidade iraniana. O livro, que se tornou um fenômeno internacional, foi a única graphic novel a figurar na lista dos 100 melhores livros do início do século XXI, publicada pelo “New York Times”.
Reconhecimento e adaptações
Em 2007, Satrapi co-dirigiu a adaptação cinematográfica de “Persépolis” ao lado de Vincent Paronnaud, que recebeu o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e foi indicado ao Oscar de Melhor Animação. A obra cinematográfica ampliou ainda mais seu alcance, cativando um público global.
Ativismo e legado
Além de seu trabalho em quadrinhos e cinema, Satrapi se destacou como uma crítica ferrenha do regime iraniano, especialmente após a morte de Mahsa Amini, em 2022. Em 2023, ela coordenou a obra “Femme, vie, liberté” (Mulher, Vida, Liberdade), que ilustra os levantes no Irã e se tornou uma referência na luta pelos direitos das mulheres.
Homenagens e reconhecimento internacional
A morte de Marjane Satrapi gerou diversas homenagens. O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou suas condolências, destacando a importância de sua obra que transformou a infância iraniana em uma narrativa universal. Thierry Frémaux, delegado-geral do Festival de Cannes, também lamentou sua perda, ressaltando sua genialidade artística e seu papel como defensora dos direitos humanos.
O legado de uma artista
Marjane Satrapi deixa um legado significativo que vai além da literatura e do cinema. Sua capacidade de transformar experiências pessoais em narrativas universais e de abordar temas como repressão, identidade e liberdade continua a inspirar e ressoar em diversas culturas ao redor do mundo.
