O julgamento do caso de Henry Borel, que envolve o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e a professora Monique Medeiros, alcançou sua fase decisiva nesta quarta-feira, 3. Após nove dias de depoimentos e debates, as partes apresentaram seus argumentos finais diante dos jurados, que decidirão o destino dos réus. A expectativa é que o veredicto seja anunciado ainda nesta madrugada.
A acusação e a defesa se posicionam
Durante a sustentação oral, o promotor Fábio Vieira classificou Jairinho como um “psicopata severo” e Monique como uma “narcisista”. O promotor argumentou que Jairinho usava seu poder político e econômico para intimidar pessoas e destacou um histórico de violência que o ex-vereador teria contra mulheres e crianças. Vieira apontou que, na madrugada da morte de Henry, Jairinho fez cinco ligações para Monique, sugerindo que a professora se trancou em um quarto, o que levantou questionamentos sobre a dinâmica entre o casal naquela noite.
Relatos de violência e negligência
O promotor também destacou relatos de Henry pedindo socorro à mãe, expressando o desejo de ir para a casa dos avós no dia de sua morte. Vieira enfatizou que a criança havia manifestado seu temor em várias ocasiões, mas essas chamadas de alerta não foram percebidas por Monique, que alegou estar em um relacionamento abusivo. Essa negligência foi usada para reforçar a acusação contra ela.
Críticas à defesa de Monique
A defesa de Monique argumentou que ela era uma vítima de Jairinho, ressaltando a falta de evidências que sustentem a acusação de que ela teria sido negligente. No entanto, o promotor contestou, afirmando que os relatos dela contradizem sua posição de não perceber os sinais de abuso, incluindo ciúmes excessivos e comportamentos controladores por parte de Jairinho, o que reforçaria a narrativa de que ela estava ciente da toxicidade do relacionamento.
Expectativa pelo veredicto
Com a conclusão dos debates, o juiz presidente do Tribunal do Júri dará início à fase de votação, onde os sete jurados deverão responder a uma série de perguntas sobre a materialidade do crime e a participação de cada acusado. O julgamento, que se tornou um dos mais longos da história do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, está sob intensa cobertura da mídia e expectativa pública.
