O julgamento da morte do menino Henry Borel prossegue no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, completando seu sexto dia neste sábado (30). O caso, que ganhou repercussão nacional, envolve os réus Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros, ambos acusados de homicídio triplamente qualificado, tortura e outros crimes. O pai de Henry, Leniel Borel, continua a prestar depoimento, relembrando momentos marcantes da convivência com o filho.
Desenvolvimentos do julgamento
Durante o quinto dia de audiência, os peritos descartaram a possibilidade de acidente doméstico como causa da morte de Henry, reforçando que as múltiplas lesões encontradas no corpo da criança são consistentes com agressões. Os depoimentos de especialistas, como o médico legista Luiz Airton Saavedra, foram fundamentais para a linha de acusação, que aponta Jairinho como o responsável pelas agressões e Monique como cúmplice por omissão.
Depoimento de Leniel Borel
Em seu testemunho, Leniel Borel não apenas descreveu suas últimas interações com Henry, mas também levantou a hipótese de que Monique pode ter agido de maneira premeditada, o que surpreendeu a juíza Elizabeth Machado Louro. Ele relatou que na última visita ao filho, percebeu marcas no corpo da criança que o deixaram preocupado. Além disso, Leniel mencionou que Henry demonstrou medo ao ser devolvido à casa da mãe, afirmando que a criança expressou que ‘a mamãe não era boa’.
A resistência de Henry
O pai de Henry detalhou que, em momentos de entrega ao convívio de Monique, o menino apresentava comportamentos atípicos e resistia em deixar seu colo, chegando a passar mal durante a viagem. Esse relato foi corroborado pela juíza durante o interrogatório, que questionou Leniel sobre sua decisão de devolver a criança, mesmo diante das evidências do medo que Henry demonstrava.
A linha de defesa
A defesa de Jairinho e Monique tem buscado desacreditar as testemunhas da acusação. Durante o julgamento, alegações de coação e ataques a Leniel por parte de familiares dos réus foram levantadas e causaram tumulto no tribunal. A juíza teve que intervir em várias ocasiões para manter a ordem durante os depoimentos.
Próximos passos no julgamento
O julgamento deve continuar neste domingo (31), com a expectativa de que mais testemunhas de defesa sejam ouvidas. Ao todo, 27 pessoas foram convocadas para prestar depoimento, e a duração total do júri pode se estender por até dez dias. O desfecho do processo é aguardado com grande atenção pela sociedade, que busca justiça para a trágica morte de Henry Borel.
