A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) iniciaram uma nova fase da Operação Sem Desconto, nesta quarta-feira, com o objetivo de investigar fraudes em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF), envolve o cumprimento de 31 mandados de busca e apreensão e oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico em estados como Pernambuco, São Paulo, Paraíba e no Distrito Federal.
Objetivos da operação
A nova fase da operação visa aprofundar as investigações sobre crimes contra a administração pública, incluindo estelionato previdenciário e organização criminosa. As investigações revelaram que associações conveniadas ao INSS realizavam descontos indevidos nas aposentadorias e pensões de beneficiários, totalizando desvios que podem chegar a R$ 6,3 bilhões desde 2019. Esses descontos eram feitos sem a autorização dos aposentados, que muitas vezes sequer tinham conhecimento das associações às quais estariam vinculados.
Alvos da investigação
Dentre os alvos da operação, destacam-se a Associação Amar Brasil Clube de Benefícios e seu ex-presidente, Felipe Macedo Gomes, além de Igor Dias Delecrode, ex-presidente da Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista. Também é investigado um técnico do INSS, Everaldo Felício de Macedo, que supostamente recebeu pagamentos de Antônio Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”, considerado um dos principais articuladores do esquema.
Mudanças na coordenação da operação
A nova fase da operação ocorre após uma mudança na coordenação do inquérito, que passou de uma divisão especializada em crimes previdenciários para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores da PF. Essa mudança foi acompanhada pela substituição do delegado que liderava as investigações, que anteriormente havia solicitado a quebra de sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, Lulinha não é alvo da atual operação.
Cenário das fraudes
A Operação Sem Desconto foi deflagrada pela primeira vez em abril de 2025, quando revelações sobre sindicatos e associações cobrando descontos indevidos em benefícios previdenciários vieram à tona. As entidades envolvidas prometiam serviços como planos de saúde e assistência jurídica, mas a investigação apontou que muitas delas não tinham estrutura para cumprir essas promessas. Os aposentados, frequentemente, descobriam os descontos apenas ao conferirem seus extratos de pagamento.
Conclusão
A continuidade da Operação Sem Desconto representa um esforço significativo das autoridades para combater fraudes que prejudicam um dos grupos mais vulneráveis da sociedade: os aposentados e pensionistas. A investigação busca não apenas punir os responsáveis, mas também proteger os direitos dos beneficiários do INSS.
