O Brasil atingiu em 2024 a menor taxa de homicídios desde 1998, de acordo com o Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A pesquisa revelou que o país registrou 20,1 assassinatos para cada 100 mil habitantes, uma redução de 7,4% em relação ao ano anterior, totalizando 42.590 homicídios, uma queda de 6,9% nos números absolutos.
Análise da redução dos homicídios
Entre 2014 e 2024, a taxa de homicídios caiu 33,4%, refletindo uma diminuição de 29,6% no número total de assassinatos. No entanto, o Amapá foi a única unidade da Federação a registrar um aumento significativo, com uma elevação de 30,2% na taxa de homicídios e 41,8% no total de mortes.
Homicídios ocultos e percepção de insegurança
Os dados também indicam um aumento na subnotificação de homicídios, com a percepção de insegurança da população em alta. O coordenador do Atlas, Daniel Cerqueira, destacou que a qualidade dos dados em 2024 foi uma surpresa negativa, com um aumento nas mortes violentas por causas indeterminadas, que ofusca a queda nos homicídios.
Desigualdades regionais
A análise regional mostra que a redução dos homicídios não foi uniforme. Enquanto estados como Amapá (-30%), Tocantins (-26,7%) e Sergipe (-24,8%) apresentaram quedas significativas, Maranhão e Ceará registraram aumentos de 7,6% e 5,2%, respectivamente. As menores taxas de homicídios foram observadas em São Paulo (6,6 por 100 mil habitantes) e as maiores no Amapá (45,7) e Bahia (40,9).
Taxas de homicídios entre jovens
O Atlas também revelou que Pernambuco tem a terceira maior taxa de mortes violentas de jovens do Brasil, com 84,6 óbitos para cada 100 mil pessoas de 15 a 29 anos, mais do que o dobro da média nacional. Essa violência letal é especialmente prevalente nas regiões mais vulneráveis do Norte e Nordeste.
Homicídios ocultos e a necessidade de políticas públicas
Entre 2014 e 2024, mais de 55 mil homicídios foram considerados ocultos, não contabilizados oficialmente. Em 2024, 7.083 casos foram identificados como homicídios ocultos, um aumento de 88,6% em relação ao ano anterior. Essa situação dificulta a compreensão da dinâmica criminal e a efetividade das políticas de segurança pública.
Esforços para melhorar as investigações
O governo federal lançou o programa “Brasil Contra o Crime Organizado” para aumentar as taxas de esclarecimento de homicídios, com foco na qualificação das investigações e na melhoria das condições das polícias científicas.
