O Banco Digimais, que pertence à holding do bispo Edir Macedo, está no centro de uma investigação da Polícia Federal por supostas fraudes em suas demonstrações financeiras. A instituição, que está à venda há mais de um ano, utilizou manobras com fundos de investimento para esconder prejuízos significativos, totalizando quase R$ 500 milhões.
Manobras financeiras e suas consequências
De acordo com documentos analisados, o Digimais transferiu carteiras de financiamento com altos índices de inadimplência para fundos de investimento, criando a ilusão de que sua situação financeira era menos crítica do que realmente é. Essa prática, conhecida como operação “Zé com Zé”, ocorre quando o banco atua tanto na venda quanto na compra de seus próprios ativos por meio de cotistas dos fundos.
Impactos nos balanços e lucros reportados
Com essas operações, o banco conseguiu declarar um lucro de R$ 31 milhões no segundo semestre de 2025, mesmo após ocultar R$ 480 milhões em créditos vencidos. Especialistas alertam que a verdadeira situação do banco é alarmante, com R$ 3 bilhões aplicados em fundos que não puderam ser auditados devido à falta de acesso aos documentos necessários.
Transações suspeitas e alertas dos auditores
Outro ponto que acendeu o sinal de alerta é a compra de R$ 741 milhões em cotas de um fundo que possui precatórios judiciais com pagamentos incertos, uma transação que também chamou a atenção dos auditores do banco. Essas operações, classificadas como de alto risco regulatório, levantam sérias dúvidas sobre a saúde financeira da instituição.
Futuro do Banco Digimais em questão
O banco, que possui uma carteira focada em financiamentos de veículos e créditos consignados, está em negociações para uma possível venda de sua carteira de clientes ao BTG Pactual. Contudo, essa transação ainda depende de um leilão e do suporte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Enquanto isso, a situação do Digimais permanece sob os holofotes da investigação federal.
Direção do banco e repercussões
A presidência do Banco Digimais é ocupada por Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras, que enfrentou problemas legais relacionados a corrupção. Apesar das tentativas de melhorar a imagem da instituição, a falta de transparência e as manobras financeiras levantam questões sobre a integridade das operações do banco.
