O senador Sergio Moro oficializou sua filiação ao Partido Liberal (PL) em um evento em Brasília, marcando um novo capítulo em sua carreira política. A cerimônia contou com a presença do presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, e do senador Flávio Bolsonaro, que desempenhou um papel crucial na articulação para trazer o ex-juiz federal para o partido. A entrada de Moro no PL ocorre em um momento estratégico, com a legenda focada em consolidar palanques estaduais competitivos para as eleições de 2026, com especial atenção ao Paraná.
Chapa "Lava-Jato" e alianças no Paraná
A filiação de Moro ganha destaque com a expectativa da pré-candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado. Dallagnol, que também se encontra em Brasília, deve anunciar sua intenção, formando a chamada “chapa Lava-Jato” com Moro, que visa o governo do Paraná. Flávio Bolsonaro incentivou a reaproximação entre os dois, buscando evitar a fragmentação do eleitorado que apoia as pautas da operação. Essa movimentação representa uma mudança para Dallagnol, que vinha se aproximando do grupo político do governador Ratinho Júnior e era cotado para o Senado pelo PSD. Sua entrada no arranjo do PL sinaliza uma nova aliança política e o reatamento de laços com Moro, após um período de distanciamento.
Distanciamento e reaproximação de Moro e Deltan
O distanciamento entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol se acentuou após a cassação do mandato de Dallagnol em 2023. Na época, houve cobranças de aliados do ex-procurador por uma defesa mais enfática de Moro, enquanto o entorno do senador argumentava sobre os limites da atuação política diante de processos judiciais. Apesar da cassação, Deltan mantém seus direitos políticos e a possibilidade de disputar novas eleições, uma vez que seu registro de candidatura em 2022 foi indeferido por um motivo específico e ele não teve seus direitos suspensos nem foi declarado inelegível.
Reviravolta no cenário político paranaense
A filiação de Moro ao PL ocorre após o rompimento das negociações entre o partido e o PSD do governador Ratinho Júnior. O PL havia fechado apoio à candidatura de Moro no Paraná, rejeitando propostas anteriores que envolviam a desistência de Ratinho da disputa presidencial em troca de apoio estadual. Tentativas de Ratinho de reverter o cenário, oferecendo abrir mão da disputa pelo Planalto em troca da retirada do apoio do PL a Moro no Paraná, também foram recusadas. Segundo interlocutores, Rogério Marinho, coordenador da campanha, afirmou que “a palavra já estava dada” ao ex-juiz. Com o impasse, o PL decidiu estruturar um palanque próprio no estado, com Moro como figura central, levando Ratinho Júnior a anunciar sua desistência da disputa presidencial.
