O tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, tornou-se réu pelo assassinato de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana. A denúncia, aceita pela 5ª Vara do Júri de São Paulo, detalha um histórico de relacionamento conturbado, marcado por posturas autoritárias e possessivas por parte do oficial.
Dinâmica de controle e cobranças financeiras
Documentos apresentados pelo Ministério Público revelam diálogos em que o militar condicionava a manutenção do pagamento das despesas domésticas, como aluguel e condomínio, à disponibilidade sexual da vítima. Em mensagens, ele classificava a si mesmo como um provedor e exigia que a esposa adotasse um comportamento submisso, rotulando os papéis de gênero de forma rígida.
Gisele Alves Santana, por sua vez, demonstrou resistência às imposições do marido em diversas ocasiões. Pouco antes do crime, ocorrido em fevereiro, ela deixou claro seu desejo de encerrar o casamento, recusando-se a aceitar a troca de favores sexuais por moradia.
Acusações e desdobramentos jurídicos
Além do crime de feminicídio, motivado por razões torpes e utilizando recursos que impossibilitaram a defesa da vítima, Geraldo Neto responde por fraude processual. A acusação sustenta que o militar tentou simular um suicídio após o disparo que vitimou a esposa no apartamento do casal, localizado no bairro do Brás, em São Paulo.
Posicionamento da defesa
A equipe jurídica do tenente-coronel contesta a prisão preventiva, classificando a decisão como ilegal por envolver instâncias distintas, tanto da Justiça Militar quanto da Justiça comum. Os advogados argumentam que os conteúdos privados estão sendo divulgados de forma descontextualizada, ferindo a dignidade do acusado. A defesa afirma que o militar tem colaborado com as autoridades e que buscará reverter as ordens de prisão junto às cortes superiores.
