O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a formação de uma coalizão com países da América Latina destinada a combater cartéis ligados ao narcotráfico. A iniciativa foi apresentada durante o evento “Escudo das Américas”, realizado em Doral, na Flórida, que contou com a presença de líderes da região.
Participantes e objetivos da coalizão
Entre os presentes estavam o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e o recém-eleito presidente do Chile, José Antonio Kast. Outros países participantes incluíram República Dominicana, Costa Rica, Guiana e Bolívia. O foco principal da aliança é ampliar a cooperação regional no combate ao narcotráfico e ao crime organizado, que têm aumentado sua influência em diversos países latino-americanos.
Trump ressaltou que os cartéis crescem rapidamente na região e, em alguns casos, possuem poder militar superior às forças de segurança locais, representando uma ameaça significativa à segurança dos países do continente.
Exclusões e contexto político
O evento reuniu apenas líderes considerados aliados políticos do governo americano, deixando de fora presidentes de países governados por forças de esquerda ou centro-esquerda, como Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, Gustavo Petro, da Colômbia, e Claudia Sheinbaum, do México. A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA explicou que a participação foi restrita a nações que já mantêm cooperação estreita com Washington na área de segurança.
Apesar da exclusão do Brasil do encontro, a parceria entre os Estados Unidos e o país segue ativa, com operações conjuntas entre a Agência de Repressão às Drogas (DEA) e a Polícia Federal brasileiras, que resultaram na apreensão de mais de 70 toneladas de cocaína em 2024.
Doutrina Donroe e influência geopolítica
O anúncio da coalizão ocorreu no contexto da chamada “Doutrina Donroe”, proposta de Trump inspirada na Doutrina Monroe. Essa estratégia busca fortalecer a influência dos Estados Unidos no hemisfério ocidental e conter a presença de potências como a China na América Latina.
Trump também destacou a ameaça representada pelos cartéis mexicanos, afirmando que são responsáveis por grande parte da violência na região, e afirmou que os Estados Unidos farão o necessário para proteger sua segurança nacional.
Além disso, o presidente americano elogiou a cooperação recente com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, ao mesmo tempo em que criticou o regime de Nicolás Maduro e manifestou interesse em avançar nas negociações envolvendo Cuba.
