Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de Sicário, morreu após tentar tirar a própria vida na cela da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de fraudes financeiras e intimidação ligado ao Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.
Após a tentativa de suicídio, Mourão recebeu socorro imediato dos agentes da Polícia Federal e foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ele foi levado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde teve a morte encefálica confirmada, condição legalmente considerada óbito no Brasil.
Contexto da prisão e investigação
A prisão de Luiz Phillipi Mourão, que recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para executar atividades ilícitas para Vorcaro, ocorreu no mesmo dia da detenção do banqueiro e de seu cunhado. Mourão era apontado como operador central de uma milícia privada que monitorava, intimidava e coletava dados sigilosos de adversários do Banco Master.
A Polícia Federal revelou que Mourão atuava na obtenção de informações sigilosas, monitoramento de adversários, acesso indevido a sistemas da Polícia Federal, Ministério Público Federal, FBI e Interpol. Ele também teria coordenado um grupo informal conhecido como “A Turma”, responsável pela vigilância e intimidação de desafetos do empresário.
Histórico criminal e modus operandi
Conhecido da polícia mineira como Mexerica, Mourão acumulava uma extensa ficha criminal com registros por estelionato, receptação, associação criminosa, falsificação de documentos, roubo de veículos para desmanche, golpes na internet e clonagem de cartões de crédito. Apesar disso, mantinha um estilo de vida luxuoso em bairros nobres de Belo Horizonte.
Para invadir sistemas públicos, Mourão utilizava técnicas como ataques de engenharia social e compra de credenciais de servidores, além de criar páginas falsas para capturar senhas. A estrutura também contava com a ajuda de um policial federal aposentado para obter acessos internos, ampliando o alcance da milícia digital.
Ameaças e intimidação a jornalistas e funcionários
Conversas interceptadas pela Polícia Federal mostram que Vorcaro ordenava a Mourão ações de intimidação contra funcionários e adversários. Em mensagens, o banqueiro sugeria agressões a jornalistas, incluindo a um colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim, com o objetivo de silenciá-lo e intimidar a imprensa.
Além disso, Mourão era responsável por monitorar funcionários que contrariavam as ordens do grupo e organizar constrangimentos, ameaças e até planejamentos de ataques físicos. Essa atuação reforça a descrição da milícia como uma organização criminosa que alia fraudes financeiras a violência e coação.
Investigação e desdobramentos
A Polícia Federal instaurou procedimento para apurar todas as circunstâncias da tentativa de suicídio de Mourão e entregará aos responsáveis no Supremo Tribunal Federal todos os registros em vídeo da ocorrência. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, que autorizou as prisões.
A morte de Mourão amplia a complexidade das investigações sobre o caso Banco Master, que envolve crimes financeiros, obstrução de justiça, intimidação de adversários e ataques a instituições públicas e à imprensa. O grupo liderado por Vorcaro permanece sob análise das autoridades para desmembrar a rede criminosa.
