O ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente cumprindo pena no Complexo Penitenciário da Papuda, divulgou uma carta manuscrita em que sai em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. No texto, Bolsonaro lamenta as críticas feitas a Michelle e a aliados por integrantes do próprio campo conservador e pede que a ex-primeira-dama só se envolva diretamente nas estratégias políticas após março de 2026.
A carta foi divulgada no domingo (1º) por aliados e pela assessoria da ex-primeira-dama, e reflete as tensões internas no Partido Liberal (PL), especialmente relacionadas às articulações para as eleições de 2026, quando Bolsonaro não poderá concorrer devido à sua condenação de mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe.
Defesa de Michelle Bolsonaro e críticas à direita
Bolsonaro manifestou que tem acompanhado manifestações e ataques contra Michelle e outros membros do seu grupo político, feitos por setores da direita. Ele lamentou essas críticas e destacou valores como Deus, pátria, família e liberdade, reforçando a importância da unidade em seu campo político.
A carta não menciona nomes, mas as tensões envolvem figuras como Eduardo Bolsonaro, que criticou publicamente Michelle e o deputado Nikolas Ferreira por suposta falta de empenho na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente. Michelle, por sua vez, reagiu a provocações, como um vídeo em que aparece fritando bananas, numa referência ao apelido “Bananinha” usado contra Eduardo.
Pedido para que Michelle adie envolvimento político
Bolsonaro explicou que pediu à esposa para que ela não se envolva nas articulações políticas até depois de março de 2026, justificando o pedido com os cuidados que Michelle tem dedicado à filha do casal, Laura, que passou por uma cirurgia ortognática recentemente, e também aos cuidados com ele próprio.
A cirurgia de Laura foi um procedimento complexo, realizado em janeiro, com duração de cinco horas, para corrigir problemas relacionados à respiração, mastigação e fala. Esse aspecto pessoal é destacado pelo ex-presidente para justificar o afastamento momentâneo da ex-primeira-dama das disputas políticas.
Apelo por unidade e diálogo na direita
Ao tratar das eleições de 2026, Bolsonaro ressaltou que as disputas majoritárias e as vagas para o Senado devem ser construídas por meio do diálogo e do convencimento, e não por pressões ou ataques entre aliados. Ele defendeu a coesão do grupo político para garantir o futuro do Brasil.
Michelle Bolsonaro tem sido cotada para disputar uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal, cenário que ganhou força diante da inelegibilidade do ex-presidente. Contudo, ela ainda não confirmou oficialmente sua candidatura e declarou que entrega seu futuro político a Deus.
A carta de Bolsonaro, escrita da prisão, ocorre em meio a especulações e disputas internas no PL e no campo conservador, com a definição de candidaturas e alianças locais ainda em debate.
