O Irã iniciou neste domingo, 1º de outubro, o processo de transição da liderança máxima do país após a morte do aiatolá Ali Khamenei, registrada no último sábado, 28. O clérigo Alireza Arafi foi nomeado líder supremo interino, assumindo o comando do Conselho interino de liderança responsável por conduzir o país até a definição de um novo líder supremo permanente.
Nomeação de Alireza Arafi como líder interino
Alireza Arafi, religioso influente na cena xiita e membro do Conselho dos Guardiões, foi escolhido para liderar o órgão colegiado que detém papel central na condução institucional do Irã neste momento de transição. A nomeação foi comunicada oficialmente pelas agências do governo iraniano e confirmada pelo porta-voz do Conselho de Discernimento do Interesse do Estado, Mohsen Dehnavi.
O conselho interino, além de Arafi, contará com a participação do presidente do país, Masoud Pezeshkian, e do chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei. Esse grupo terá a responsabilidade de administrar o país e conduzir o processo para a escolha definitiva do novo líder supremo, tarefa que as autoridades iranianas afirmam buscar realizar com a maior rapidez possível.
Contexto da morte de Ali Khamenei e reação internacional
A morte de Ali Khamenei foi confirmada oficialmente pelo governo iraniano na noite do sábado, 28, após ataques atribuídos a uma ação coordenada entre Estados Unidos e Israel contra o complexo onde ele se encontrava. A mídia estatal indicou que o líder foi atingido nas primeiras horas do sábado, o que levou o governo a decretar 40 dias de luto nacional.
No mesmo dia, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma ofensiva militar ampla contra o Irã, com o objetivo de enfraquecer as Forças Armadas iranianas e eliminar o programa nuclear do país. Trump afirmou que o governo iraniano teria rejeitado todas as oportunidades para renunciar a suas ambições nucleares, justificando a ação militar.
Estrutura da liderança suprema no Irã
Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã adota um modelo de República Islâmica que combina elementos republicanos e religiosos. O líder supremo é a autoridade máxima do país, com prerrogativas políticas e espirituais, incluindo a definição das diretrizes da política externa, supervisão do Parlamento, nomeação do comandante da Guarda Revolucionária e indicação dos principais membros do Judiciário.
Até hoje, somente dois religiosos ocuparam a posição de líder supremo de forma permanente: o aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica, e Ali Khamenei, que governou por quase quatro décadas. Embora o Irã possua também um presidente eleito por voto direto, suas atribuições se limitam principalmente à administração interna e política econômica, estando sujeito à aprovação das instâncias religiosas para candidatar-se.
