O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou a aliados sua candidatura ao governo de São Paulo, decisão tomada após um apelo direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Haddad vinha negando interesse em disputar as eleições deste ano, mas mudou de postura após reunião com o chefe do Executivo no Palácio da Alvorada.
A movimentação faz parte de uma estratégia do presidente Lula para assegurar candidaturas competitivas nos dois maiores colégios eleitorais do país, São Paulo e Minas Gerais. Além de Haddad, Lula está em negociações finais com o senador Rodrigo Pacheco para que ele concorra ao governo mineiro.
Estratégia para fortalecer base eleitoral
Com essa articulação, Lula busca consolidar palanques robustos em São Paulo e Minas Gerais, estados decisivos para o cenário eleitoral nacional. A expectativa é que Geraldo Alckmin, do PSB, continue como vice na chapa de reeleição do presidente.
O PT avalia que a candidatura do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), está fragilizada devido a desentendimentos internos, o que abre espaço para Haddad iniciar sua pré-campanha de forma discreta.
Haddad deve deixar o Ministério da Fazenda até o fim deste mês ou início de abril para se dedicar integralmente à disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Cerca de 20 ministros estão previstos para sair do governo para concorrer às eleições, respeitando o prazo legal de desincompatibilização.
Movimentações partidárias e candidaturas ao Senado
Além de Haddad, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, planeja deixar a Rede e filiar-se ao PT para disputar uma vaga ao Senado, embora a definição da segunda vaga ainda esteja em aberto.
Outra possibilidade em estudo é a candidatura da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS), ao Senado por São Paulo. Para isso, ela precisaria deixar o MDB, que apoia Tarcísio, e transferir seu domicílio eleitoral. Tebet recebeu convite para ingressar no PSB, mas ainda não tomou decisão final.
Contexto político e histórico de Haddad em São Paulo
Em 2022, Haddad foi derrotado por Tarcísio na disputa pelo governo paulista. No entanto, seu desempenho em São Paulo foi apontado como fundamental para a vitória de Lula contra Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais daquele ano.
O PT considera Haddad como sucessor natural de Lula a partir de 2030, e a candidatura neste ano reforça esse posicionamento dentro do partido.
O presidente Lula tem dado atenção especial à montagem dos palanques em São Paulo e Minas Gerais, reconhecendo a importância desses estados para o sucesso eleitoral nacional e buscando evitar erros estratégicos observados na campanha presidencial, como a subestimação do crescimento do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas.
