No segundo dia de julgamento dos acusados de ordenar o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, realizado no Supremo Tribunal Federal (STF), a mãe e a filha da parlamentar passaram mal enquanto acompanhavam a sessão. Marinete da Silva, mãe de Marielle, apresentou um pico de pressão arterial que a obrigou a deixar o plenário para atendimento médico.
Mal-estar de Marinete da Silva durante o julgamento
Marinete da Silva sentiu-se mal por volta das 10 horas e foi amparada pela filha Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, e pela neta Luyara Franco. Ela foi atendida por brigadistas do STF em uma sala de apoio próxima ao plenário, onde permaneceu por cerca de 40 minutos. A suspeita é que o mal-estar tenha sido causado por um pico de pressão alta, que chegou a 17 por 12, possivelmente provocado pelo estresse do momento.
Após o atendimento, Marinete retornou ao plenário para continuar acompanhando o julgamento. O pai de Marielle, Antônio Francisco da Silva Neto, permaneceu no local durante todo o processo, auxiliando a esposa quando necessário. A família solicitou privacidade e pediu que não fossem feitas imagens do momento do atendimento.
Mal-estar de Luyara Franco e continuidade do julgamento
Pouco tempo depois, por volta das 11h40, Luyara Franco, filha de Marielle, também passou mal e precisou deixar o plenário em uma cadeira de rodas. Ela foi encaminhada ao serviço médico do STF para avaliação, retornando à sessão minutos depois. A presença e o apoio da ministra Anielle Franco foram fundamentais para dar suporte emocional à família durante a sessão.
O julgamento, conduzido pela Primeira Turma do STF, teve início com o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, que destacou a motivação política do assassinato, além de ações de queima de arquivo atribuídas à atuação de milícias. Moraes votou pela condenação dos quatro réus apontados como mandantes do crime, considerando as provas apresentadas pela Polícia Federal como coerentes e harmonizadas para demonstrar a responsabilidade dos acusados.
Entre os réus estão Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro; Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; Rivaldo Barbosa, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio; Ronald Paulo de Alves Pereira, ex-major da Polícia Militar; e Robson Calixto Fonseca, ex-assessor. O caso está sob julgamento no STF devido ao foro privilegiado de um dos acusados à época da prisão, em 2024.
O voto de Moraes será seguido pelos demais ministros da Primeira Turma, que decidirão sobre a condenação ou absolvição dos réus. A sessão tem sido marcada pela forte carga emocional da família, que acompanha atentamente o desdobramento do processo.
