O Ministério do Comércio da China emitiu um comunicado nesta quarta-feira, 25, manifestando preocupação com a possibilidade de os Estados Unidos aplicarem novas tarifas comerciais, baseadas em uma investigação em andamento sobre o cumprimento do acordo econômico e comercial conhecido como “fase um”, firmado entre os dois países em 2020.
Segundo o órgão chinês, desde a implementação do acordo, a China tem cumprido suas obrigações contratuais, mesmo diante das dificuldades causadas pela pandemia e pelas interrupções nas cadeias de suprimento globais. Entre os compromissos honrados estão a proteção da propriedade intelectual, a abertura dos mercados financeiro e agrícola e a ampliação da cooperação comercial bilateral.
Por outro lado, Pequim acusou os Estados Unidos de adotar medidas que dificultam a concretização do acordo, como o endurecimento dos controles de exportação, restrições a investimentos bilaterais e outras limitações econômicas e comerciais que, segundo a China, violam o espírito do pacto e prejudicam as condições para sua execução.
Diálogo e tensões nas relações bilaterais
Desde o ano passado, ambos os países realizaram cinco rodadas de consultas econômicas e comerciais, nas quais chegaram a consensos sobre temas como a extensão da suspensão de tarifas recíprocas, comércio agrícola, controles de exportação e redução das restrições a investimentos. No entanto, a investigação da Seção 301, instrumento legal americano que permite a imposição de tarifas, permanece em curso, o que tem gerado apreensão em Pequim.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, indicou que o governo americano pode recorrer a tarifas adicionais com base nessa investigação, que começou em outubro de 2025. A resposta da China foi um alerta de que, caso Washington avance com essas medidas restritivas, tomará todas as ações necessárias para defender seus direitos e interesses legítimos.
Contexto da visita de Donald Trump a Pequim
Esse episódio ocorre em um momento delicado nas relações entre os dois países, às vésperas da viagem do ex-presidente americano Donald Trump a Pequim, prevista para abril. Será a primeira visita de um presidente dos EUA à China desde 2017.
A tensão também é reflexo de recentes decisões internas nos EUA, como a anulação pela Suprema Corte de tarifas emergenciais impostas no segundo mandato de Trump, o que reduziu algumas sobretaxas sobre produtos chineses, deixando Pequim sujeita a tarifas menores do que as aplicadas a outros aliados americanos.
Pequim espera que Washington conduza a implementação do acordo comercial com uma postura objetiva e racional, evitando transferir responsabilidades e focando nos consensos já alcançados, para que a cooperação entre as duas maiores economias globais possa avançar de forma estável.
