A Uefa anunciou nesta segunda-feira (23) a suspensão provisória do meia-atacante argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, após ser acusado de racismo contra o atacante brasileiro Vinícius Júnior, do Real Madrid. A decisão impede que Prestianni participe do jogo de volta dos playoffs da Liga dos Campeões, marcado para quarta-feira (25), no Santiago Bernabéu, em Madri.
O incidente ocorreu durante a partida de ida, realizada no Estádio da Luz, em Lisboa, na última terça-feira (17). Vinícius Júnior marcou o gol da vitória do Real Madrid por 1 a 0 e comemorou dançando próximo à torcida do Benfica, o que gerou uma reação de jogadores portugueses. Pouco depois, o brasileiro denunciou o suposto ato racista ao árbitro francês François Letexier, afirmando que Prestianni o teria chamado de “macaco” repetidas vezes.
Detalhes da suspensão e investigação
A Uefa, após nomear um Inspetor de Ética e Disciplina para apurar o caso, decidiu pela suspensão preventiva de Prestianni com base em um relatório preliminar que indicou possível violação do Artigo 14 do Regulamento Disciplinar da entidade, que trata de condutas discriminatórias. A medida tem caráter cautelar e não representa julgamento definitivo. A investigação segue em andamento e pode resultar em punições mais severas, incluindo suspensão mínima de dez partidas caso a culpa seja confirmada.
Durante o jogo, o protocolo antirracismo foi acionado, e a partida ficou paralisada por cerca de dez minutos para análise dos fatos. O francês Kylian Mbappé, companheiro de Vinícius no Real Madrid, afirmou ter ouvido Prestianni proferir a ofensa racista pelo menos cinco vezes, enquanto o atacante argentino negou as acusações em suas redes sociais, alegando que jamais teve comportamento racista e lamentando as ameaças recebidas.
Posicionamentos dos clubes e repercussão
O Benfica manifestou pesar pela suspensão de Prestianni e anunciou que irá recorrer da decisão da Uefa, embora reconheça que os prazos dificultam uma reversão a tempo do jogo decisivo. O clube também reafirmou seu compromisso histórico contra o racismo e a discriminação, destacando a importância do legado do ex-jogador Eusébio, ídolo negro da equipe.
O Real Madrid, por sua vez, defendeu publicamente Vinícius Júnior e afirmou ter entregue provas à Uefa para sustentar a denúncia. O caso ganhou repercussão internacional imediata, com jogadores, técnicos e entidades do futebol manifestando repúdio a qualquer forma de racismo. O técnico do Benfica, José Mourinho, que também está suspenso para o jogo de volta, negou que o clube seja racista, citando Eusébio como exemplo, enquanto o técnico do Real Madrid criticou a ideia de que a vítima possa ser provocadora.
Contexto do protocolo antirracismo da Uefa
O protocolo antirracismo da Uefa prevê três etapas para lidar com incidentes discriminatórios durante as partidas. Primeiro, o árbitro avalia a denúncia e pode paralisar o jogo, exibindo mensagens nos telões do estádio. Se os ataques persistirem, a partida pode ser suspensa ou até cancelada. No episódio envolvendo Prestianni e Vinícius, o árbitro aplicou o protocolo fazendo um sinal de “X” com as mãos, interrompendo o jogo por cerca de dez minutos para garantir a segurança e o respeito no ambiente esportivo.
