A Justiça da Paraíba condenou o influenciador digital Hytalo Santos e seu marido, Israel Vicente, conhecido como Euro, por crimes relacionados à exploração sexual e produção de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes. A sentença, divulgada no domingo (22), foi assinada pelo juiz Antônio Rudimacy Firmino de Sousa, da comarca de Bayeux, na região metropolitana de João Pessoa.
Hytalo Santos recebeu uma pena de 11 anos e 4 meses de reclusão, enquanto Israel Vicente foi condenado a 8 anos e 10 meses de prisão. Além das penas privativas de liberdade, ambos foram condenados a pagar uma indenização por danos morais no valor de R$ 500 mil e 360 dias-multa, calculados com base em um trinta avos do salário mínimo vigente.
Contexto da condenação
A sentença detalha que os adolescentes foram mantidos em um ambiente artificial, comparado a um “reality show”, onde eram expostos a situações de risco extremo, incluindo a presença de bebidas alcoólicas e negligência quanto à alimentação e à continuidade dos estudos. O juiz destacou que os crimes foram cometidos explorando a vulnerabilidade das vítimas, que não tinham condições de compreender ou resistir às práticas ilícitas.
O caso ganhou repercussão nacional após o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, publicar um vídeo denunciando a “adultização” e sexualização de crianças e adolescentes em conteúdos produzidos por Hytalo Santos. As denúncias impulsionaram as investigações realizadas pelo Ministério Público da Paraíba e o Grupo Especial de Atuação Contra o Crime Organizado (GAECO).
Medidas judiciais e prisões
Os réus foram presos preventivamente em agosto de 2025, em Carapicuíba, São Paulo, e desde então estão detidos no Presídio do Róger, em João Pessoa. A Justiça manteve a prisão preventiva, afirmando que os fundamentos que justificaram a medida permanecem válidos e que o regime fechado impede a concessão de liberdade provisória neste momento.
Além do processo criminal, o casal responde a ações na Justiça do Trabalho por acusações de tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão.
Defesa e recursos
A defesa de Hytalo Santos e Israel Vicente informou que irá recorrer da decisão, alegando que foram apresentadas provas e testemunhos que contrariam as acusações. Os advogados afirmam que a sentença ignorou provas apresentadas durante o processo e que há indícios de preconceito na decisão por conta da orientação sexual e origem dos réus.
Paralelamente, o Tribunal de Justiça da Paraíba analisa um pedido de habeas corpus, com julgamento previsto para ser retomado na terça-feira (24). A defesa mantém confiança na reversão da condenação em instâncias superiores.
