A União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) abriu uma investigação disciplinar para analisar as alegações de racismo feitas pelo atacante Vinícius Júnior, do Real Madrid, contra o jogador argentino Gianluca Prestianni, do Benfica. O episódio ocorreu durante a partida de ida dos playoffs da Champions League, disputada em Lisboa, onde o Real Madrid venceu por 1 a 0.
Detalhes do incidente e protocolo antirracismo
O incidente aconteceu logo após Vinícius Júnior marcar o gol da vitória para o Real Madrid no início do segundo tempo. Após a comemoração, o brasileiro afirmou ter ouvido um insulto racista vindo do argentino Prestianni, que cobriu a boca ao falar com Vinícius, o que levantou suspeitas de injúria racial. Em resposta à denúncia, o árbitro François Letexier interrompeu a partida por cerca de 11 minutos para a ativação do protocolo antirracismo, medida que visa combater comportamentos discriminatórios durante o jogo.
A situação gerou um intenso bate-boca entre jogadores de ambas as equipes, incluindo momentos em que Vinícius foi contido pelo treinador do Benfica, José Mourinho. Além do brasileiro, o atacante Kylian Mbappé também afirmou ter ouvido o comentário ofensivo.
Posicionamentos das partes envolvidas
Nas redes sociais, Vinícius Júnior lamentou o ocorrido, destacando a covardia dos atos racistas e criticando a punição que recebeu na partida, um cartão amarelo pela comemoração do gol, enquanto o protocolo antirracismo foi considerado insuficiente. O jogador enfatizou que não gosta de expor esse tipo de situação, especialmente após uma vitória importante, mas ressaltou a necessidade de dar visibilidade ao tema.
Por sua vez, Gianluca Prestianni negou as acusações e afirmou que o brasileiro interpretou mal suas palavras. O argentino também relatou ter recebido ameaças de jogadores do Real Madrid após o episódio. O Benfica, clube do argentino, manifestou solidariedade a Prestianni, reforçando seu posicionamento nas redes sociais.
Investigação da Uefa e possíveis consequências
A Uefa designou um inspetor de Ética e Disciplina para analisar o caso, revisando os relatórios oficiais da partida que registraram a ativação do protocolo antirracismo e a interrupção do jogo. A entidade deve coletar depoimentos dos jogadores envolvidos e de testemunhas presentes, como Mbappé, para averiguar a veracidade das alegações.
A apuração não possui prazo definido para ser concluída. Caso as ofensas raciais sejam comprovadas, o Código Disciplinar da Uefa prevê punições severas, incluindo suspensão mínima de dez partidas para o infrator. No entanto, a complexidade da investigação reside na necessidade de evidências claras, consistentes e convergentes entre relatórios, imagens e testemunhos.
Um precedente similar ocorreu em 2020, quando o ex-jogador Pierre Webó acusou um árbitro de usar uma expressão racista durante uma partida da Champions League, mas a investigação não resultou em punição.
Próximos passos e repercussão
O jogo de volta entre Real Madrid e Benfica está marcado para a próxima quarta-feira, 25, no estádio Santiago Bernabéu, em Madri. O Real Madrid, que venceu a partida inicial, pode avançar às oitavas de final até mesmo com um empate.
Enquanto a investigação da Uefa segue seu curso, o episódio reacendeu o debate sobre o combate ao racismo no futebol europeu, evidenciando desafios para a aplicação efetiva de medidas punitivas em casos de discriminação.
