O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta quarta-feira (18) em Nova Délhi, capital da Índia, atendendo a um convite do primeiro-ministro Narendra Modi. A visita marca a segunda viagem do presidente brasileiro ao país asiático neste mandato e tem como principal compromisso a participação em uma cúpula internacional que debate os impactos da inteligência artificial (IA) no contexto global.
Participação na cúpula de inteligência artificial
O evento, iniciado na segunda-feira (16), reúne chefes de Estado e executivos do setor tecnológico para discutir temas como segurança, governança e cooperação internacional na área de IA. Lula está previsto para discursar na plenária de alto nível, que faz parte do chamado processo de Bletchley, uma série de encontros intergovernamentais dedicados ao tema.
Além da regulação e da colaboração global, a cúpula aborda fontes de financiamento para ampliar o acesso à tecnologia, fomentar a inovação e promover o desenvolvimento social. Será a primeira vez que um presidente brasileiro participa de um fórum global de alto nível focado exclusivamente em inteligência artificial.
Na sexta-feira (20), o governo brasileiro organiza um evento paralelo intitulado “IA para o bem de todos”, que apresentará as perspectivas nacionais para o futuro da inteligência artificial. A programação contará com ministros das áreas de Ciência, Tecnologia e Informação; Gestão e Inovação; Educação; Saúde; e Comunicações.
Fortalecimento da parceria bilateral Brasil-Índia
A visita de Lula também tem como objetivo aprofundar a cooperação entre Brasil e Índia, que mantêm uma parceria estratégica desde 2006. Durante a agenda, estão previstas negociações sobre terras raras e minerais críticos, além da assinatura de uma declaração conjunta para a parceria digital futura entre os dois países.
Outro ponto importante da visita é o avanço nas negociações para ampliar o acordo comercial entre o Mercosul e a Índia, bem como a oficialização da extensão do prazo de validade dos vistos de negócios e turismo, que passará de cinco para dez anos entre as nações.
Também são esperados progressos na cooperação entre a Embraer e a empresa indiana Adani Defense & Aerospace, uma das líderes do setor aeroespacial na Índia.
Em 2025, a Índia foi o quinto maior parceiro comercial do Brasil, com uma corrente de comércio de US$ 15,2 bilhões. Atualmente, a Índia ocupa a décima posição entre os destinos das exportações brasileiras, que incluem óleos brutos de petróleo, açúcares e melaços, gorduras e óleos vegetais, e minério de ferro.
A relação bilateral está em fase de expansão, alicerçada em complementaridades econômicas e tecnológicas. No ano anterior, os países estabeleceram diretrizes estratégicas com cinco pilares prioritários para a próxima década: defesa e segurança, segurança alimentar e nutricional, transição energética e clima, transformação digital e tecnologias emergentes, e parcerias industriais.
