A saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Banco Master, oficializada após reunião interna do Supremo Tribunal Federal (STF) em fevereiro de 2026, marcou o fim de uma fase de intensos conflitos entre o gabinete do relator e a Polícia Federal (PF). As divergências giravam em torno do controle das provas digitais, cumprimento de prazos operacionais e suspeitas mútuas sobre prejuízo à investigação.
O caso, que chegou ao STF em dezembro de 2025, envolve investigações sobre fraudes no sistema financeiro, tendo como principal investigado o banqueiro Daniel Vorcaro. Desde o início da relatoria, Toffoli impôs sigilo máximo e adotou medidas consideradas incomuns, como a determinação de depoimentos e acareações sem solicitação prévia da PF, gerando atritos entre o gabinete do ministro e os investigadores.
Origem do conflito e medidas do STF
Um dos pontos mais controversos ocorreu em dezembro de 2025, quando o ministro ordenou oitivas envolvendo Vorcaro e outras autoridades financeiras, buscando evitar manipulação de provas. Essa iniciativa, no entanto, foi recebida com resistência por parte da PF, que apontou dificuldades na condução do processo devido à intervenção direta do gabinete do relator.
Na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro de 2026, a crise se aprofundou. Toffoli acusou a PF de descumprimento de prazos para cumprimento de medidas autorizadas, sugerindo que isso poderia ter comprometido a investigação e acarretado riscos, como a fuga de investigados. Em resposta, a Polícia Federal destacou que comunicou antecipadamente as dificuldades enfrentadas, incluindo desafios logísticos e operacionais.
Disputa sobre provas digitais e controle institucional
A disputa mais sensível envolveu o destino e a perícia do material apreendido, especialmente celulares. Inicialmente, Toffoli determinou que os itens fossem lacrados e guardados no STF para evitar vazamentos, retirando da Polícia Federal a prerrogativa de realizar a perícia e transferindo essa tarefa para a Procuradoria-Geral da República (PGR). Essa decisão intensificou o desgaste institucional entre os órgãos envolvidos.
O episódio expõe um quadro de tensão crescente entre o Supremo e a Polícia Federal, refletindo disputas pela condução das investigações e controle das provas. O governo federal adotou postura de contenção pública, orientando ministros a evitarem comentários sobre a crise, diante do potencial impacto político e institucional.
Contexto e críticas ao papel do STF
O caso Banco Master também reacende o debate sobre a atuação do STF e seus limites institucionais. Nos últimos anos, a corte tem sido alvo de críticas por suposta ampliação de suas atribuições, especialmente em decisões monocráticas que impactam diretamente a relação entre os Poderes.
O presidente do STF, Edson Fachin, já alertou para o risco de interferência externa caso o tribunal não se autolimite. A percepção de que o Supremo atua como uma última instância de revisão ampla das decisões nacionais tem provocado questionamentos sobre a separação dos Poderes e o sistema de freios e contrapesos previsto na Constituição.
Analistas apontam que o comportamento recente do STF lembra, em certa medida, mecanismos históricos de controle concentrado de poder, embora com diferenças fundamentais em relação ao contexto democrático atual. Nesse cenário, o caso Banco Master torna-se um símbolo das tensões institucionais e políticas que desafiam o equilíbrio entre os Poderes no Brasil.
