O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o Carnaval do Rio de Janeiro, gerou reações políticas e repercussão intensa. O ex-presidente Michel Temer foi retratado na apresentação em uma cena que relembrou o impeachment de Dilma Rousseff e sua posse na Presidência, o que causou polêmica e motivou uma manifestação pública de Temer.
Temer reconhece tradição da sátira no Carnaval
Em nota divulgada após o desfile, Temer ressaltou que a sátira política é parte da tradição do Carnaval e defendeu a liberdade de expressão e artística que o samba proporciona. Segundo ele, não cabe cobrar rigor histórico em enredos carnavalescos, que são espaços de criatividade e fantasia. O ex-presidente também fez referência a uma crítica feita a ele pela escola Paraíso do Tuiuti em 2018, quando foi retratado como um vampiro.
Críticas à homenagem e à política econômica atual
Apesar de reconhecer o caráter artístico do desfile, Temer classificou a homenagem a Lula como bajulação e fez críticas contundentes à condução econômica do governo atual. Ele apontou o que chamou de ilusionismo na Esplanada dos Ministérios, citando irresponsabilidade fiscal, juros altos e aumento do endividamento público. Além disso, destacou que conquistas importantes de sua gestão, como reformas trabalhista, do ensino médio e previdenciária, estariam sendo negadas.
Temer lamentou a substituição de uma agenda de avanços institucionais por uma volta ao passado, ironizando a atual gestão e dizendo ser triste ver a troca da ponte para o futuro por retrocessos.
Detalhes do desfile e repercussões políticas
O enredo da Acadêmicos de Niterói, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, apresentou a trajetória de Lula desde a infância até a presidência, incluindo referências políticas e sociais, como a defesa do fim da escala de trabalho 6×1 e menções a pautas do governo atual.
Na comissão de frente, a cena que repreentou Temer tirando a faixa de Dilma Rousseff simbolizou o processo de impeachment de 2016, episódio que o PT classifica como golpe. Outro destaque foi a representação do ex-presidente Jair Bolsonaro como um palhaço preso, em alusão à sua prisão por tentativa de golpe.
O desfile também suscitou críticas da oposição, que pretende acionar a Justiça Eleitoral alegando propaganda antecipada e uso de dinheiro público para promoção eleitoral. Parlamentares do PL e do partido Novo lideram as reclamações, enquanto aliados do governo defendem a liberdade artística e afirmam que o Carnaval historicamente aborda temas políticos.
O presidente Lula acompanhou o desfile no camarote da Prefeitura do Rio ao lado de ministros e autoridades, em um evento que durou mais de oito horas e teve repercussão nacional.
