A ex-deputada federal Carla Zambelli foi liberada da prisão na Itália após a Corte de Cassação do país europeu, última instância do judiciário italiano, negar o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro. A decisão foi tomada na última sexta-feira, 22 de maio, e resultou na libertação de Zambelli, que estava detida desde julho do ano passado.
Histórico do Caso
Carla Zambelli foi presa em Roma, capital da Itália, enquanto tentava escapar de um mandado de prisão expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil. Ela foi condenada a dez anos de prisão por sua participação na invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023, acusação que também envolveu a emissão de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
A ex-deputada, que possui cidadania italiana, buscou asilo político na Itália. O governo brasileiro apresentou um pedido de extradição baseado nas condenações impostas pelo STF, incluindo um caso de porte ilegal de arma de fogo.
Decisão da Corte de Cassação
A Corte de Cassação italiana anulou as decisões das instâncias inferiores que haviam autorizado a extradição de Zambelli. Segundo a defesa da ex-parlamentar, a corte reconheceu falhas processuais nas decisões anteriores, considerando que as condenações no Brasil foram baseadas em provas consideradas frágeis.
Com a decisão, Zambelli foi libertada do presídio feminino de Rebibbia, em Roma, e agora aguarda o desfecho do processo em liberdade na Itália. Apesar da soltura, a decisão final sobre sua extradição ainda depende do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que tem até 45 dias para se manifestar.
Repercussão e Próximos Passos
Zambelli celebrou sua libertação como uma vitória e afirmou que pretende continuar sua “vida de missão”, conforme declarou em um vídeo publicado ao lado de seu advogado italiano. A decisão surpreendeu autoridades brasileiras que acompanhavam o caso e gerou discussões sobre a influência de fatores políticos sobre o processo judicial.
O caso de Carla Zambelli não é o primeiro em que a extradição de um brasileiro foi negada por um país europeu. Anteriormente, a Justiça da Espanha rejeitou a extradição do blogueiro Oswaldo Eustáquio, também alegando motivações políticas.
