O Sistema Único de Saúde (SUS) recebeu um importante avanço com a inauguração do Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. O evento, realizado no último sábado, contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e representa um marco na produção nacional de tratamentos oncológicos.
Terapia CAR-T: um novo horizonte no tratamento do câncer
A terapia CAR-T é reconhecida como uma das mais significativas inovações na oncologia moderna. O procedimento envolve a extração de células de defesa do próprio paciente, que são geneticamente modificadas em laboratório para atacar células cancerígenas antes de serem reintroduzidas no organismo. A iniciativa visa proporcionar tratamento a pacientes com leucemia, linfoma e mieloma, oferecendo uma alternativa de custo elevado no mercado, que pode chegar a até US$ 400 mil por dose.
Investimentos e infraestrutura
O projeto foi viabilizado através do Programa para Ampliação e Modernização de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (PDCEIS), que já contou com investimentos de R$ 330 milhões. Além do centro de terapias, foi inaugurada também a nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde, com um aporte de R$ 370 milhões, que vai abrigar pesquisas voltadas a vacinas, fármacos, diagnósticos e outras inovações para o SUS.
Acessibilidade e transporte para pacientes
Durante a cerimônia, também foram apresentados novos veículos destinados ao transporte de pacientes do SUS, parte do programa ‘Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde’. Os veículos possuem ar-condicionado e acessibilidade, visando proporcionar um deslocamento mais digno e confortável para os pacientes que necessitam de tratamentos especializados, como radioterapia e hemodiálise.
Impacto na saúde pública
A Fiocruz ressalta que a capacidade de produzir terapias CAR-T em território nacional é um dos poucos exemplos no mundo onde a população poderá ter acesso a um tratamento de ponta de forma gratuita pelo SUS. A expectativa é que os primeiros pacientes comecem a receber o tratamento experimental em 2026, possibilitando uma mudança significativa no cenário da oncologia no Brasil.
Histórias de pacientes
O evento também destacou histórias de sucesso, como a de Paulo Peregrino, que foi tratado com uma tecnologia similar em São Paulo e conseguiu a cura de seu câncer. Sua experiência ressalta a importância de iniciativas como essa, que visam democratizar o acesso a tratamentos que antes eram restritos a poucos e a altos custos.
