A SAF do Botafogo protocolou duas ações judiciais contra o Olympique Lyonnais, da França, buscando o ressarcimento de valores que superam R$ 745 milhões. A medida representa o desfecho da estratégia de caixa único que integrava os clubes sob o guarda-chuva do Eagle Group, liderado pelo empresário John Textor.
Origem do conflito financeiro
O montante cobrado pelo clube brasileiro é fruto de sucessivos repasses realizados entre 2024 e 2025. O Botafogo argumenta que, à época da aquisição do Lyon em 2022, o clube francês enfrentava grave crise de insolvência e que os aportes brasileiros foram essenciais para estabilizar a operação europeia. No entanto, após conflitos societários internos, a nova gestão francesa decidiu encerrar o modelo colaborativo de forma unilateral.
Detalhamento da dívida e impactos
Empréstimos e encargos bancários
Entre as frentes de cobrança, destaca-se um empréstimo de R$ 323 milhões contraído pelo Botafogo junto ao Banco XP para repassar ao Lyon. O clube francês havia se comprometido a pagar R$ 45 milhões referentes aos juros dessa operação, obrigação que não foi honrada após a ruptura do acordo.
Prejuízos esportivos e sanções
A inadimplência francesa gerou efeitos práticos negativos para o Botafogo, prejudicando o planejamento esportivo e a renovação de contratos. A situação financeira do clube brasileiro ficou tão comprometida que resultou na aplicação de um transfer ban pela FIFA no final de 2025.
Medidas judiciais
A ofensiva jurídica foi dividida em duas frentes: uma execução extrajudicial de R$ 125 milhões, com pedido de pagamento em até três dias, e uma ação principal referente aos R$ 573 milhões acumulados em transferências. O Botafogo reforça que adotará todas as medidas necessárias para recuperar os ativos e assegurar a solidez do seu projeto esportivo.
